Quem é contra a legalização das bets está alienado
Proibir não é proteger: é empurrar todo mundo para o subterrâneo. Leia mais.
A frase é forte. E precisa ser. Porque chegou o momento de dizer, com todas as letras: quem defende a proibição das apostas no Brasil é parte do problema, não da solução.
A cada vez que o debate sobre regulação esquenta, aparece um moralista de plantão tentando transformar o mercado de apostas em bode expiatório de todos os males sociais.
Mas a realidade é bem mais incômoda: mais de 50% das apostas hoje já ocorrem em plataformas ilegais. Se o Brasil decidir empatar a legalização das bets, esse número vai pra perto de 100%.
Vamos deixar claro: ninguém está defendendo a banalização do jogo. Mas fingir que a proibição é solução é, no mínimo, ingênuo. E, na maioria dos casos, alienado.
A tese: proibir é o atalho de quem não quer enfrentar o problema
O Brasil é um país continental. A repressão às plataformas piratas exige inteligência cibernética, integração entre órgãos e um aparato técnico-jurídico que o Estado brasileiro não tem.
Não porque seja incompetente. Mas porque é estruturalmente frágil.
A Secretaria de Prêmios e Apostas – criada há menos de um ano – não tem verba, não tem equipe, não tem ferramental para controlar o mercado ilegal.
Então o que querem, afinal? Criar uma ilusão de controle a partir da proibição?
Oficializar uma nova Cracolândia Digital, onde milhões de brasileiros jogarão todos os dias sem nenhum suporte, nenhuma política de Jogo Responsável, nenhum canal de amparo legal?
Entre a utopia moralista e o buraco fiscal
Estima-se que o Brasil tenha centenas de bilhões em passivos fiscais relacionados ao setor de jogos e apostas — um potencial de arrecadação ainda ignorado.
Enquanto isso, sites ilegais movimentam fortunas em cripto, burlam regulações, exploram jogadores com sistemas viciados e não pagam um centavo de imposto.
A legalização – com regimento forte, punição para abusos e metas de fiscalização – é a única chance de virar esse jogo.
Quem diz o contrário está ou mal informado, ou politicamente comprometido com um discurso populista que agrada a bolhas moralistas.
Enquanto isso, as casas licenciadas ajudam a financiar o SUS, pagam impostos, oferecem ferramentas de autoexclusão, limite de perdas, suporte ao jogador.
Qual é a lógica de sufocar quem tenta operar dentro da lei e deixar o subterrâneo crescer?
O problema é o despreparo institucional
Vamos ser justos. O problema não está no mercado de apostas em si. Está no despreparo do governo para lidar com a realidade digital.
O Estado não sabe lidar com criptomoedas, com streamers, com influenciadores. E muito menos com o jogo. E por não saber, prefere proibir.