Governo e bets alertam: proibição de apostas em lances individuais pode fortalecer mercado ilegal
Proibir ou não proibir? Essa é a armadilha em que o Congresso brasileiro parece ter caído. No centro da discussão, o Projeto de Lei 2842/23, que pretende vedar apostas em lances individuais — cartões, escanteios, faltas. Uma medida que soa bem para a opinião pública, mas que, na prática, pode apenas empurrar mais jogadores para o terreno fértil das plataformas piratas. E foi exatamente isso que governo, operadores e representantes do esporte alertaram em audiência pública na Câmara, conforme o artigo da BNLData. O presidente da Associação Bets e Fantasy Sport, Rafael Marcondes disse que mesmo com proibição, apostas vão continuar em sites internacionais (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados) O que está em debate A proposta, de autoria do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), busca reduzir o risco de manipulação esportiva. Representando o Ministério da Fazenda, Leticia Soeiro (SPA/MF) admitiu que há preocupação legítima, mas alertou que a solução não pode ser simplista: “Como reguladores, o que fazemos é reduzir o risco, exigindo que as empresas tenham políticas de prevenção contra manipulações e vínculo com entidade independente de monitoramento da integridade esportiva”, afirmou a coordenadora de Jogo Responsável da Secretaria de Prêmios e Apostas. Na prática, a restrição atinge justamente mercados secundários que representam parte relevante da experiência de apostas — mas que, segundo dados apresentados na audiência, são os que menos aparecem em investigações de fraude. O contraponto dos clubes e operadores O diretor-executivo da Liga Forte União do Futebol Brasileiro, Gabriel Lima, trouxe exemplos da Bélgica e do Reino Unido: países que, ao adotar restrições severas, viram uma migração massiva de apostadores para sites não licenciados. O impacto chega também ao caixa dos clubes: “Quase 100% das equipes da Série A e B dependem de contratos com casas de apostas. Limitar mercados pode abalar esse equilíbrio financeiro.” Rafael Marcondes, presidente