De reality show a operação policial: a prisão de Karol Digital expõe os limites entre marketing de luxo e jogos ilegais
Karol Digital é alvo da Operação Fraus no Tocantins. Caso levanta debate sobre apostas ilegais, influência digital e regulação no Brasil.
Na manhã desta sexta-feira (22), a Polícia Civil do Tocantins prendeu a influenciadora Karol Digital e o namorado, Dhemerson Rezende Costa, em um condomínio de alto padrão em Araguaína, durante a Operação Fraus. Segundo a corporação, a ação cumpriu 23 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao casal. Conhecida nas redes por exibir carros de luxo, mansões, viagens e a realização de um reality show, a influenciadora foi alvo das medidas judiciais no contexto da investigação, conforme reportagens do AF Notícias e do g1 Tocantins.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações indicam que Karol teria movimentado cerca de R$ 217 milhões entre 2019 e 2024. Ainda conforme a apuração, esses valores estariam relacionados a plataformas de jogos de azar sem autorização e a pessoas jurídicas apontadas como “de fachada” para lavagem de dinheiro. Por decisão judicial, houve o sequestro de bens estimados em mais de R$ 37 milhões — entre eles, uma fazenda com gado e cavalos de raça, sete imóveis e veículos de luxo (um Porsche, uma RAM 3500 e uma McLaren Artura avaliada em R$ 3,1 milhões).
Investigação apontou que Karol Digital adquiriu carros de luxo — Foto: Reprodução Instagram Karol Digital/Divulgação Polícia Civil (Fonte: G1 Tocantins)
Maria Karollyny Campos Ferreira, 29 anos, se apresenta nas redes como “empresária, digital influencer e CEO de quatro empresas”. Antes de alcançar 1,5 milhão de seguidores no Instagram, foi condenada em 2015 por roubos em Araguaína. Cumpriu parte da pena em regime fechado, participou de programas de Justiça Restaurativa e, anos depois, construiu a persona digital que a projetaria como símbolo de lifestyle de luxo.
Nos últimos anos, associou seu nome a negócios de moda, estética, suplementos e até agronegócio. Também abriu espaço para um reality próprio, a “Mansão da Digital”, que reuniu 27 participantes em busca de prêmios em dinheiro e foi encerrado em agosto.
A trajetória da influenciadora, segundo a leitura das investigações e de especialistas ouvidos por reportagens do setor, expõe como narrativas de “superação” e de ascensão meteórica podem ser usadas como vitrine de credibilidade para negócios que, mais tarde, acabam sob questionamento público.
Karol Digital em salão de beleza e promoção de produtos da sua empresa — Foto: Karol Digital/Instagram/Reprodução (Fonte: G1 Tocantins)
Como funcionaria o esquema (segundo a investigação)
De acordo com a Polícia Civil, a estrutura em apuração envolveria o uso de plataformas de apostas não autorizadas e empresas de intermediação de pagamentos, padrão já observado em outras operações contra jogos clandestinos. Escritórios de contabilidade também foram citados como alvos de mandados de busca.
Ainda segundo as investigações, o modelo identificado teria como estratégia atrair seguidores nas redes sociais e direcioná-los para sites sem autorização oficial. Nesses ambientes, ressaltam as autoridades, não há garantias de saque, suporte ao