O ataque à Superbet – Parte 2: A verdade que não te contaram

São Paulo, 10 de abril de 2025. Transamerica Expo Center. Era o último dia do BiS SiGMA Americas . Entre corredores e cumprimentos, a...

São Paulo, 10 de abril de 2025. Transamerica Expo Center.

Era o último dia do BiS SiGMA Americas. Entre corredores e cumprimentos, a movimentação do mercado pulsava forte. Foi ali que, pela primeira vez, meu diretor de comunidade, André, ouviu falar da campanha que abalaria o mercado nas próximas semanas. A Superbet estava preparando algo grande para a quinta rodada do Brasileirão. A informação vinha quente de dentro. Algo grande estava por vir. Anotamos mentalmente e seguimos. Nada além de mais uma estratégia promocional, pensávamos.

Na quinta-feira, 18 de abril, às 20h13, recebo uma mensagem anônima. Um e-mail com um alerta direto, gelado, que me travou: um ataque contra a Superbet estava em curso. A mensagem era objetiva, sem detalhes, mas não precisava de muito: não havia campanha melhor para ser atacada do que a dos 300 giros grátis no slot Tigre Sortudo.

A promoção da Superbet, que foi lançada no painel de jogadores como ativa e disponível a partir do dia 19 de abril, prometia 300 giros grátis no slot “Tigre Sortudo” para todos os usuários que apostassem R$300 com dinheiro real em jogos da quinta rodada do Brasileirão, entre os dias 19 e 21 de abril de 2025.

As apostas precisavam ter odds mínimas de 2.0 por cupom, e a condição era válida apenas para apostas simples ou múltiplas que envolvessem eventos da rodada. A promoção aparecia publicamente na seção “Promoções > Em andamento” e instruía o usuário a “aguardar as apostas liquidarem” para que os giros fossem creditados.

Não havia nenhuma exigência de saldo mínimo ou limitação explícita de público (como restrição para VIPs). Era, portanto, uma promoção legítima, ativa e utilizável por qualquer jogador regular.

Promoção da Superbet - 300 Giros no Tigre Sortudo

Não havia nada de errado em usá-la. Os termos estavam visíveis, e seguir a campanha não infringia nenhuma regra. Jogadores que participaram estavam exercendo seu direito dentro da proposta feita pela própria casa.

Quando fazer a coisa certa vira risco

Meu time travou. “Se a gente sabe do que vai acontecer e não faz nada, vão jogar a gente no mesmo saco.” A frase ecoava enquanto tentávamos falar com o jurídico. Sem resposta. Tínhamos medo, insegurança. Mas também tínhamos um grande senso de responsabilidade.

Começamos a avisar pessoas próximas. Às 23h, a tentativa de contato com o suporte da Superbet foi publicada nos stories. Print da fila. Prova de que tentamos. Não por heroísmo, mas porque não queríamos ser confundidos com quem estava por trás daquilo.

Story do aviso aos jogadores no Instagram

E foi aí que o inferno começou.

Vieram as ameaças. “Se a casa rouba, o método é justiça”, escreveram. “Quem atrapalha, paga.” Mais de 800 denúncias simultâneas contra meu perfil. Stories apagados. Postagens fora do ar. Comecei a temer pela minha segurança e da minha família.

Grupos se organizando para denunciar em massa.