Lula participa de evento com MC Anderson Neiff e expõe a contradição no discurso contra apostas ilegais

Enquanto o governo fala em “botão de parar” e combate a apostas ilegais, presidente Lula posa com Anderson Neiff artista investigado por promover cassin...

Na última quinta-feira (14), em Recife (PE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da celebração da Lei do Dia Nacional do Brega, ao lado do prefeito João Campos e do deputado federal Pedro Campos, ambos do PSB.

O evento reuniu artistas do gênero, entre eles Anderson Neiff, MC e influenciador digital, conhecido no brega funk — e igualmente conhecido por promover operador de apostas sem licença no Brasil, prática proibida pela legislação vigente.

A foto de Lula e Neiff lado a lado foi publicada pelo próprio Neiff em suas redes. A reação foi imediata.

A presença de Neiff não é polêmica apenas pelo vínculo com apostas ilegais. Em julho, um show de seu grupo em Cubati (PB) virou caso de polícia: uma menina de 11 anos se apresentou de forma sexualizada e, horas depois, uma briga deixou um adolescente morto e dois jovens feridos. A investigação segue em andamento.

Mesmo com esse histórico, Neiff foi recepcionado em um evento oficial, teve espaço ao lado do presidente e ainda capitalizou a imagem para seu público.

Há menos de dois meses, o próprio Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, discursavam sobre a necessidade de controlar o tempo de jogo, criar “botão de parar” e proteger a população da influência nociva das apostas. Mas no palco da política, a imagem fala mais que qualquer portaria: o chefe do Executivo posa, sorri e empresta capital simbólico a um nome ligado justamente ao que o governo diz combater.

Não se trata de mera gafe protocolar. É a fotografia crua da incoerência.

A Lei 14.790/2023 estabelece que apenas operadores licenciados pela Secretaria de Prêmios e Apostas podem ofertar ou divulgar apostas no Brasil.

A Portaria SPA/MF nº 1.225/2024, combinada com a Portaria SPA/MF nº 1.233/2024, disciplina a fiscalização e as sanções para quem promove ou opera plataformas sem licença. No caso de Neiff, a divulgação de operador não autorizado é pública e ostensiva — e ainda assim não foi obstáculo para a sua presença num evento com o presidente.

Enquanto a Advocacia-Geral da União notifica a Meta para remover anúncios ilegais de apostas, o próprio presidente aparece abraçado com quem pratica essa mesma promoção.É difícil convencer o cidadão comum de que existe combate real a ilegalidades quando o exemplo vem invertido do topo.

O discurso sobre proteção a menores perde força quando o microfone e o espaço são divididos com um artista investigado por expor criança em contexto sexualizado.Não é só incoerência: é um tapa na cara de quem leva a sério as regras que o próprio governo criou.