Enquanto o governo aposta no retrocesso, loterias estaduais avançam com inovação

Loterias Estaduais provam ser possível unir jogo responsável, tecnologia e gestão, enquanto Brasília patina.

Loterias Estaduais mostram que é possível unir jogo responsável, tecnologia e governança — mesmo com Brasília patinando na implementação da nova lei.

Na contramão da morosidade federal, as loterias estaduais estão tomando a dianteira na construção de um mercado de apostas mais responsável, moderno e integrado. Basta acompanhar os últimos movimentos de duas das principais autarquias do setor: Lottopar, no Paraná, e Loterj, no Rio de Janeiro.

Enquanto o governo federal ainda tenta consolidar sua estrutura de fiscalização e regulamentação — entre portarias fragmentadas e escassez de ferramentas efetivas —, os estados já se organizam para implantar o Sistema Nacional de Apostas (SINAPO), iniciativa prevista na Lei nº 14.790/2023 que prevê uma plataforma unificada para promover governança, compliance e proteção ao consumidor.

SINAPO sai do papel — pelos estados

Na última semana, a Lottopar participou de uma reunião estratégica na Secretaria de Prêmios e Apostas, em Brasília, ao lado de representantes de 12 estados brasileiros. O objetivo foi discutir a estruturação do SINAPO, que deverá conter:

uma base nacional para o sistema de autoexclusão (válida em todo o território brasileiro);

diretrizes de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro;

lista pública de operadores autorizados;

e integração de dados entre União e entes federativos.

O encontro evidenciou o protagonismo da Lottopar, que já implementou diversos dos critérios considerados obrigatórios para adesão: sua página de autoexclusão tem efeito em até 24h; a política de PLD está formalizada na Portaria nº 028/2025; e o selo de operador autorizado nos sites garante transparência ao jogador.

Reunião dos representantes de doze estados brasileiros na Secretaria de Prêmios e Apostas, em Brasília (Foto: Diogo Zacarias – MF)

Seminário internacional reforça responsabilidade

Mas não é só no campo técnico que o Paraná avança. A Lottopar também será anfitriã do seminário internacional “Jogo Seguro, Responsável e Sustentável em Loterias”, organizado em parceria com a Cibelae e a World Lottery Association (WLA). Com temas que vão de inteligência artificial a publicidade ética, o evento reunirá presidentes de loterias e órgãos reguladores de mais de 30 países — incluindo nomes como Andreas Kötter (WLA) e Regis Dudena (SPA/MF).

É uma agenda moderna, global e consciente. Com foco em ESG, certificações, combate ao jogo ilegal e design responsável de produtos, o seminário em Foz do Iguaçu já se anuncia como um divisor de águas institucional.

Seminário Internacional que ocorrerá em Foz do Iguaçu

Loterj busca aproximação com o Banco Central

Enquanto o Paraná organiza o debate internacional, o Rio de Janeiro fortalece o diálogo nacional. A LOTERJ, liderada por Hazenclever Lopes Cançado, esteve nesta semana em reunião com dirigentes do Banco Central para discutir a modernização do setor, o alinhamento regulatório e possíveis avanços nas operações financeiras das loterias estaduais.