Cassinos: a receita que o Brasil insiste em deixar para a mesa dos outros

O Brasil discute, com atraso e hipocrisia, se deve ou não regulamentar os jogos de azar. Enquanto isso, o dinheiro segue escorrendo por debaixo da porta...

O Brasil discute, com atraso e hipocrisia, se deve ou não regulamentar os jogos de azar. Enquanto isso, o dinheiro segue escorrendo por debaixo da porta — sem impostos, sem emprego formal, sem controle. A estimativa de arrecadação com cassinos, bingos e jogo do bicho legalizados gira em torno de R$ 20 bilhões por ano, valor equivalente ao contingenciamento promovido pelo governo federal no primeiro semestre de 2025.

Isso mesmo: o que falta na conta está, literalmente, sendo apostado à margem da lei.

É um recurso que o Brasil não pode abrir mão”, afirma o senador Irajá, relator do PL 2234/22, na matéria da BNLData “Arrecadação prevista com a legalização dos jogos de azar é maior que contingenciamento de R$ 20 bi

Fonte: Arrecadação prevista com a legalização dos jogos de azar é maior que contingenciamento de R$ 20 bi

O cálculo é simbólico. E estratégico. Colocar lado a lado o valor do corte orçamentário com o que poderia estar sendo recolhido da atividade que já existe — mas opera nas sombras — serve como alerta: a escolha por não regular tem um custo. E ele recai, mais uma vez, sobre os ombros da população comum.

Um debate sabotado pela moral de conveniência

Cassinos, bingos e jogo do bicho não são promessas para o futuro. São uma realidade presente, pulsante, ativa. Em qualquer capital brasileira, é possível localizar pelo menos um cassino clandestino operando com fachada de clube, bar ou ponto comercial “alternativo”. O Estado finge que não vê. A polícia age pontualmente. E a Receita… não arrecada nada.

Os argumentos contrários à legalização são conhecidos: ludopatia, endividamento, criminalidade. Mas não resistem à luz dos dados. Quem joga hoje já está exposto a todos esses riscos — sem qualquer proteção legal, sem regras mínimas, sem suporte público. O veto à regulamentação não protege. Ele abandona.

Cassinos e o potencial de transformação econômica

Além dos R$ 20 bilhões em arrecadação direta, o relatório do senador Irajá projeta a criação de 1,5 milhão de empregos e a atração de mais de R$ 100 bilhões em investimentos privados para infraestrutura, turismo e entretenimento.

Seriam cassinos integrados a resorts, hotéis, centros de convenções, restaurantes e teatros. Um polo de desenvolvimento econômico para regiões hoje periféricas na rota do turismo.

A conta é clara: ou arrecadamos com responsabilidade ou seguimos financiando a ilegalidade.

O medo do jogo… ou do controle?

Boa parte da resistência ao PL dos Jogos de Azar vem de setores que usam o argumento da ludopatia para frear o debate, mas não movem uma vírgula para combater o que já existe no mercado paralelo. Usam o medo como escudo para manter a inércia.

A proposta do relator, ao contrário do que muitos sugerem, não é uma liberação geral. As licenças serão federais, limitadas, com critérios de viabilidade e outorga onerosa. Haverá registro por CPF, pagamento via Pix ou débito, monitoramento pela Receita e obrigação de ações de jogo responsável. O que hoje acontece sem