Indiciem as estrelas, poupem o sistema: o teatro final da CPI das Bets
Virginia, Deolane e mais 14 indiciados — mas o sistema de apostas ilegais segue fora do alvo.
Comissão recomenda 16 indiciamentos — incluindo Virginia e Deolane — e encerra os trabalhos como começou: mirando no brilho e ignorando a engrenagem
O que começou como uma investigação sobre lavagem de dinheiro termina como palanque para manchetes de celebridade. Na manhã de 10 de junho, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) apresentou o relatório final da CPI das Bets.
O documento — que ainda será votado — propõe o indiciamento de 16 pessoas, entre elas as influenciadoras Virginia Fonseca e Deolane Bezerra, além de empresários e operadores ligados a casas de apostas e empresas de pagamentos.
É o clímax anunciado de um enredo que o Portal Fred Azevedo vem denunciando há meses: uma comissão que optou pelo espetáculo, não pela estrutura. Pela manchete, não pelo sistema.
O marketing virou crime. E o sistema, figurante
Os nomes no topo da lista têm algo em comum: são figuras públicas com alto engajamento digital. São alvos perfeitos para uma CPI que, desde o início, se alimentou da lógica do engajamento moralizante.
Virginia é acusada de simular ganhos irreais. Deolane, de ser sócia oculta da casa ZeroUm. Ambas promovem apostas — o que, por si só, não configura crime. Mas foram enquadradas por publicidade enganosa, estelionato, e no caso de Deolane, até organização criminosa.
A questão é: onde estão os operadores que facilitaram isso? Onde estão os responsáveis técnicos, jurídicos e financeiros pelas casas promovidas?
Por que a CPI nunca convocou os donos da infraestrutura?
A lista completa dos indiciados: o foco no influenciador, não no operador
Abaixo, os nomes incluídos no relatório, com os respectivos (supostos) crimes apontados:
Publicidade enganosa em vídeos de apostas
Publicidade enganosa, estelionato
Jogo de azar, estelionato, lavagem de dinheiro, organização criminosa
Parente e sócia ligada à ZeroUm
Idênticos aos de Deolane + associação criminosa
Falso testemunho, lavagem de dinheiro, organização criminosa
Operação de pagamento para sites ilegais
Lavagem de dinheiro, organização criminosa
Promoção de apostas com ganhos simulados