IBJR alerta: apostas ilegais movimentam R$ 40 bi por ano — mas o problema vai além dos impostos
IBJR alerta que apostas ilegais movimentam R$ 40 bi no Brasil. Além da tributação, falta regular influenciadores, fintechs e proteger de fato o jogador.
Em audiência pública no Senado, conforme noticiado pela BNLData, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) apresentou o estudo Fora do Radar, elaborado pela LCA Consultoria, que estima em R$ 40 bilhões anuais o volume de apostas ilegais no país. Segundo o levantamento, 51% do setor ainda funciona na clandestinidade, gerando uma perda de R$ 10,8 bilhões em impostos.
Para o presidente executivo do IBJR, Fernando Vieira, o governo erra ao tentar resolver a questão apenas pela via tributária. Aumentar impostos sobre quem está regularizado, disse, pode sufocar o setor recém-regulado e empurrar milhões de jogadores para sites piratas — onde não há auditoria, regras ou proteção.
Novas frentes em debate: propaganda e fluxo financeiro
O alerta do IBJR não ficou isolado. Nos últimos meses, outras propostas surgiram no Congresso e no Executivo com o mesmo objetivo declarado: reduzir a vantagem do mercado ilegal.
De um lado, discute-se a regulação dos influenciadores digitais, apontados como vitrines que ainda alimentam sites piratas. De outro, a Receita Federal decidiu enquadrar fintechs como bancos, após investigações revelarem esquemas de lavagem que usavam instituições de pagamento para escoar bilhões do jogo clandestino.
Ambas as medidas partem do mesmo diagnóstico: não basta tributar mais quem está regularizado — é preciso atacar os canais que mantêm o ilegal competitivo.
Influenciadores: regulação necessária ou risco de censura?
Outro ponto em discussão é o papel dos influenciadores digitais. A ANJL propôs que a SPA/MF crie regras específicas para quem promove apostas. O argumento é direto: sem parâmetros, perfis com grande alcance seguem divulgando sites piratas, com promessas de ganhos fáceis e apelos a menores de idade.
Traria transparência e responsabilização na publicidade.
Evitaria que links para cassinos ilegais circulassem livremente.
Risco de transformar regulação em censura seletiva, punindo mais os licenciados do que os piratas.
Dúvidas sobre quem fiscalizaria de forma eficaz esse ecossistema, considerando a velocidade das redes sociais.
Imagem ilustrativa mostra influenciador entre apostas legais e piratas, refletindo o dilema da regulação e da publicidade no setor.
Fintechs: quando o “banco paralelo” vira atalho para o ilegal
A recente decisão da Receita Federal de enquadrar fintechs como bancos tem conexão direta com o setor de apostas. Investigações da Polícia Federal mostraram esquemas bilionários de lavagem usando instituições de pagamento como canal para escoar valores de sites clandestinos.
Ao obrigar fintechs a cumprir as mesmas regras de compliance dos grandes bancos, o governo fecha uma porta relevante para o dinheiro ilegal.
Eleva o padrão de fiscalização e dificulta a vida do pirata.
Reduz a assimetria entre operadores legais (que pagam taxas e seguem regras) e o clandestino.
Risco de excesso burocrático par