Governo sobe imposto, critica setor e avança com Caixa Bet: coincidência ou plano?

Governo aumenta impostos e indica 'repensar' apostas enquanto avança com a Caixa Bet. Coincidência?

Coincidência demais para ser só coincidência? Governo eleva impostos e sinaliza “repensar” o mercado de apostas enquanto avança com a Caixa Bet

Seria apenas mais uma declaração avulsa ou parte de um plano para estatizar, na prática, o controle do setor? A teoria da tomada de assalto pelo Estado ganha corpo — e indícios.

Na quinta-feira (12), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou abertamente que o mercado de apostas eletrônicas “deveria ser repensado” pelo Congresso Nacional.

À primeira vista, a fala parece apenas mais um comentário pessoal de quem nunca simpatizou com o setor. Mas, para quem acompanha com atenção os movimentos do governo, o tom não soa tão inocente assim.

A declaração veio um dia após a publicação da Medida Provisória 1.303/2025 que aumentou de 12% para 18% a tributação sobre a receita das casas de apostas, além de trazer novas medidas de controle fiscal. Segundo Haddad, as apostas online geram cerca de R$ 40 bilhões de lucro bruto por ano, mas pagam uma carga tributária inferior à de empresas convencionais.

“Não geram emprego. Eu pessoalmente não gosto de jogo. Penso que é uma coisa que deveria ser até repensada pelo Congresso Nacional.” — Fernando Haddad

A frase, embora subjetiva, carrega um subtexto que merece atenção: estaria o governo, por meio da Caixa Econômica Federal, pavimentando o caminho para monopolizar o setor internamente?

Não é a primeira vez que o Porta Fred Azevedo levanta essa hipótese: há sinais de que o governo pode estar operando para transformar o setor de apostas em um braço fiscal direto da União.

A Caixa Bet, plataforma de apostas digitais da Caixa Econômica Federal, já obteve autorização para atuar com apostas de quota fixa, eventos ao vivo e campanhas publicitárias de largo alcance — ou seja, com as mesmas armas dos gigantes do setor.

Todo o lucro da Caixa Bet retorna diretamente ao Tesouro Nacional.

Ou seja: se uma empresa privada lucra R$ 100 milhões, parte vai para impostos. Mas se a Caixa Bet lucra o mesmo valor, a arrecadação é total — sem intermediários, sem concorrência feroz, e com estrutura pública de apoio.

Subir o imposto para expulsar concorrência?

A nova alíquota de 18% pode até fazer sentido sob a ótica arrecadatória. Mas seu impacto é claro: as margens de lucro encolhem, e players menores correm risco de não sobreviver no novo ambiente. Entidades representativas do setor reagiram com veemência, alertando para o risco de inviabilização do modelo de negócio.

Enquanto isso, a Caixa Bet avança em silêncio. Amparada por uma estrutura estatal, publicidade institucional e o respaldo de quem regula o próprio mercado, ela opera sem o mesmo tipo de vigilância ou pressão comercial.

Um mercado “repensado” — mas para quem?

Quando Haddad fala em repensar o setor, está falando em reformar? Em restringir? Ou em reorganizar o tabuleiro para que só a peça estatal permaneça em jogo?

Basta unir os pontos: elevação de impostos, dificuldade regulat