O futuro ameaçado do iGaming no Brasil: impostos sufocam, piratas avançam
O futuro do iGaming no Brasil está em risco: impostos sufocam operadores legais enquanto a pirataria cresce sem controle. Quebra da HanzBet e demissões ...
Enquanto o discurso oficial celebra a regulamentação do setor de apostas como um avanço civilizatório, o mercado real começa a dar sinais de fadiga.
Os operadores licenciados — ou em processo de licenciamento — enfrentam uma equação perversa: impostos altos, obrigações pesadas, competição desleal e margens corroídas. E o resultado já pode ser sentido.
Nos bastidores, uma palavra começa a circular com frequência incômoda: quebradeira.
No dia 19 de julho, a página principal da HanzBet publicou um comunicado que escancarou a crise: segundo a nota oficial, a operação será descontinuada em 21 de julho de 2025, com prazo estendido para saques até o dia 31. Após essa data, de acordo com a empresa, eventuais saldos remanescentes serão transferidos automaticamente para as contas bancárias cadastradas pelos usuários.
Até agora, a EA Entretenimento e Esportes Ltda. — empresa detentora do domínio institucional da plataforma — não se manifestou publicamente sobre o encerramento da marca. Mas a dimensão do colapso vai além de uma disputa societária ou de gestão.
A verdade é incômoda: mesmo marcas com base ativa de jogadores, tráfego robusto e campanhas em andamento estão desabando sob o peso da estrutura regulatória brasileira. O custo para se manter dentro das regras já não se sustenta — e a insegurança jurídica só acelera o desmonte.
Efeitos colaterais da regulação sem controle
A Lei nº 14.790/2023, que institui o regime de autorização para apostas de quota fixa no Brasil, veio acompanhada de portarias rigorosas:
A Portaria nº 1.207/2024 estabeleceu padrões técnicos duros para os jogos, incluindo a proibição de ciclos indefinidos e mecanismos como RTVA — o que afeta diretamente vários fornecedores populares de slots.
A Portaria nº 615/2024 impôs novas exigências sobre os fluxos de pagamento — criando obstáculos para casas que operavam com gateways alternativos ou carteiras estrangeiras.
A Nota Técnica nº 229/2025 cravou a tributação dos bônus, até mesmo os não sacáveis, como parte da base de cálculo do GGR. Na prática, operadores passam a ser tributados por recompensas promocionais que o jogador sequer pode converter em dinheiro.
Esse conjunto normativo é tecnicamente defensável. Mas economicamente, para muitas casas, tornou-se inviável.
Enquanto os operadores sérios tentam se adequar às exigências da Lei nº 14.790/2023 e das portarias complementares, milhares de sites não licenciados seguem operando normalmente — hospedados em domínios .com, promovidos por influenciadores de alcance nacional e anunciando livremente em redes sociais, Telegram e Meta Ads.
A fiscalização prevista na Portaria nº 827/2024 ainda engatinha. Não há bloqueios sistemáticos de IP, nem ações coordenadas para responsabilizar plataformas digitais que divulgam ou hospedam sites ilegais.
Futuro do iGaming no Brasil? Hoje, quem cumpre a lei joga com desvantagem. E quem ignora tudo, continua ganhando.