Governo quer transferir para bancos e anunciantes a responsabilidade da fiscalização de bets ilegais
O governo federal apresentou o Projeto de Lei Complementar nº 182/2025, que trata da redução de benefícios tributários, mas trouxe junto um dispositivo direcionado ao setor de apostas. Redigido pela equipe do Ministério da Fazenda, o texto responsabiliza bancos, fintechs, processadoras de pagamento e até anunciantes por tributos não recolhidos por operadoras de apostas que atuem sem autorização no país. O novo escopo da fiscalização bets De acordo com o Artigo 6º do PLP, passam a responder solidariamente com as casas não licenciadas: instituições financeiras e de pagamento que permitirem transações com operadoras irregulares; pessoas físicas ou jurídicas que divulgarem publicidade de empresas de apostas sem licença federal. Na prática, o governo quer ampliar a fiscalização bets para além do setor, arrastando para a linha de frente bancos, veículos de mídia, afiliados e até influenciadores digitais. Setor já financia a própria fiscalização O paradoxo é evidente. Pela Lei 14.790/2023, cada operadora autorizada paga uma taxa mensal de fiscalização proporcional ao faturamento. Apenas no primeiro semestre de 2025, essa cobrança gerou R$ 49.279.947,76 para os cofres públicos. Ou seja, o setor legal já financia a fiscalização bets, mas, mesmo assim, o governo prefere transferir a tarefa para terceiros em vez de demonstrar resultados concretos contra os cassinos piratas. O risco de insegurança jurídica No sistema financeiro, a preocupação é prática: sem uma lista oficial de operadoras proibidas, como separar quem é regular de quem opera como fachada? Um CNPJ pode parecer em conformidade, mas atuar de forma irregular em outras frentes. Se a Receita Federal não oferecer critérios claros, a fiscalização bets pode se transformar em terreno fértil para judicialização, com bancos e anunciantes punidos mesmo quando agirem de boa-fé. Editorial: quando o Estado terceiriza sua função O governo arrecadou quase R$ 50 milhões em seis meses apenas com a taxa de fiscalização be