Faturamento das Bets atinge R$ 17,4 bi no primeiro semestre de 2025

Faturamento das bets no Brasil atinge R$ 17,4 bi no 1º semestre de 2025, segundo SPA/MF. Veja perfil do apostador e impacto da regulação.

As empresas de apostas esportivas e jogos online movimentaram R$ 17,4 bilhões no Brasil apenas no primeiro semestre de 2025. Esse volume marca, pela primeira vez, um retrato oficial do faturamento das bets no país, consolidado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF).

O levantamento, apresentado pelo secretário Regis Dudena em entrevista ao C-Level Entrevista, videocast semanal da Folha de S.Paulo, e também destacado em matéria da BNLData, revela o tamanho do mercado regulado e fornece, pela primeira vez, um retrato oficial sobre o perfil do apostador brasileiro.

Segundo Dudena, o país conta atualmente com 17,7 milhões de apostadores ativos, sendo 71% homens e quase metade concentrada na faixa etária de até 30 anos. A média de gasto individual é de R$ 983 por semestre, ou cerca de R$ 164 por mês.

“Hoje nós sabemos qual é o famoso GGR [Gross Gaming Revenue], que é a diferença entre o que é apostado e os prêmios pagos, ou seja, qual é o resultado bruto daquilo que fica com as casas de apostas. Estamos falando num valor semestral de R$ 17 bilhões, uma média de R$ 2,9 bilhões por mês”, explicou Dudena.

Regis Dudena, secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, destacou em entrevista o impacto do “descontrole” do setor no vício em jogos. Entre os 17,7 milhões de apostadores no Brasil, 71% são homens e metade tem até 30 anos (Foto: Reprodução Vimeo/Folha de S.Paulo e BNLData).

O que explica o novo retrato do setor e o faturamento das bets no Brasil

O número contrasta com estimativas anteriores. Em 2023, um relatório do Banco Central indicava que os brasileiros movimentavam cerca de R$ 20 bilhões por mês em apostas.

A divergência, segundo Dudena, está na metodologia: enquanto o Banco Central considerava o fluxo financeiro bruto de depósitos e saques, a SPA utiliza o GGR, que mede apenas a diferença entre valores apostados e prêmios pagos.

“Existe uma diferença entre o fluxo financeiro de entrada e saída do mesmo dinheiro e o gasto efetivo do apostador. Aqueles R$ 20 bilhões não representavam despesa líquida, mas sim a movimentação repetida dos mesmos recursos”, disse o secretário ao C-Level Entrevista.

Essa distinção coloca o Brasil em patamar comparável a mercados regulados de porte médio, mas ainda em fase inicial de maturação.

O novo levantamento só foi possível porque, desde a Lei nº 14.790/2023, o setor de apostas de quota fixa passou a ser formalmente regulado no país. A lei define:

Autorização prévia do Ministério da Fazenda para operadores atuarem no Brasil;

Exigência de sede e administração no território nacional;

Políticas obrigatórias de jogo responsável, prevenção à lavagem de dinheiro e integridade esportiva;

Publicidade restrita, com proibição de mensagens enganosas, promessas de enriquecimento e direcionamento a menores de idade.

A lei foi complementada por portarias ministeriais ao longo de 2024, que estabeleceram normas sobre pagamentos, certificações de plata