CPI das Bets: Conar escancara o óbvio sobre apostas ilegais no Brasil
Na CPI das Bets, o Conar revela que operadoras ilegais dominam as denúncias. Leia mais.
Presidente do Conar revela que a maioria das denúncias recebidas é contra operadoras ilegais — um submundo fora do alcance da fiscalização. Enquanto isso, influenciadores seguem impunes e gigantes autorizadas é que pagam a conta.
Conar escancara o óbvio: denúncias apontam dominância das ilegais — e o sistema assiste de braços cruzados.
Em depoimento à CPI das Bets no Senado, Sergio Pompilio, presidente do Conar, resolveu falar o que muita gente evita admitir em público. A maior parte das denúncias por publicidade irregular tem como alvo operadoras piratas — sites que atuam sem autorização, com domínio estrangeiro, linguagem em português e campanhas agressivas, muitas vezes direcionadas a menores.
Boa parte das denúncias recebidas pelo Conar hoje está associada a esse tipo de operação. Plataformas que atuam livremente nas redes sociais, driblando leis, regras e qualquer forma de fiscalização efetiva. Elas não respondem a ninguém. E, por incrível que pareça, parecem crescer justamente porque ninguém está realmente olhando para elas.
Enquanto isso, as empresas que seguem a cartilha pagam a conta. Amordaçadas por normas cada vez mais duras, notificações, sanções e um cerco que vai se fechando. Do outro lado, bônus falsos, promessas enganosas, promoções direcionadas a adolescentes. E silêncio institucional.
O que disse o presidente do Conar na CPI das Bets
Segundo Pompilio, o órgão já notificou, alterou e suspendeu diversas campanhas, mas tem as mãos atadas diante de quem simplesmente ignora a existência de regras. Ele chamou atenção para o fato de que a maioria dessas queixas envolve sites não autorizados.
E foi além: destacou o caso de empresas estrangeiras que se apresentam como nacionais, com aparência profissional, páginas em português e anúncios direcionados a públicos vulneráveis. “Chegam até adolescentes e crianças brasileiras. São quase inalcançáveis”, disse. O controle? Só com a polícia, admitiu.
O eco da crítica: quando até a Anatel expõe a falência do sistema
O diagnóstico de que o sistema favorece os ilegais não vem só do Conar. Em outro artigo publicado aqui, mostramos como o próprio presidente da Anatel, Carlos Baigorri, foi ainda mais longe. Durante um evento internacional da OAB em Madri, ele afirmou que a regulação das apostas no Brasil é “improvisada, difusa e pouco institucional”.
Na prática, o que deveria ser uma engrenagem coordenada virou um amontoado de portarias. A SPA identifica os sites ilegais, mas quem bloqueia é a Anatel — que sequer participa das decisões. Como resumiu Baigorri, “botaram uma batata quente no meu colo”. E, enquanto isso, operadores ilegais seguem online, sem licença, sem controle e sem punição real.
Você pode conferir essa análise completa em nosso artigo:
Conflito deflagrado entre Anatel e SPA: crise na regulação das apostas no Brasil?
A impotência do sistema: quem está vigiando?
Os dados não mentem. Reclamações contra casas de apostas aumentaram 50% em 2024. Foram mais de 3.300 registros —