Bancos tiram do jogo as intermediadoras de pagamento

O futuro dos pagamentos no setor de apostas agora pertence aos grandes bancos. Leia mais.

O mercado de pagamentos no setor de apostas vive um colapso anunciado.

Aparentemente, a guerra era contra os sites de bets. Mas quem está vencendo por W.O. são os bancos.

Nas últimas semanas, surgiram indícios claros de que o ecossistema de pagamentos alternativos está se desintegrando. Operadoras de PSP (Payment Service Providers) estão saindo do mercado, demitindo em massa, ou sendo absorvidas.

Segundo uma fonte confiável do setor de pagamentos, que atua diretamente na estrutura de uma das maiores operadoras do país, "o mercado acabou. Os bancos comeram tudo. Quem ficou, teve que aceitar condições drásticas de contrato ou deixar o setor."

Os sinais da queda das intermediadoras de pagamento

De acordo com essa mesma fonte, a estratégia de saída das PSPs tem relação direta com uma mudança de cenário: o setor de apostas estaria se tornando financeiramente inviável para intermediadoras de pagamento.

"Hoje, o banco oferece contrato direto para o cassino. O operador entra direto na rede bancária, e a PSP simplesmente sai da jogada. Não tem mais câmbio. Não tem como competir."

Além disso, contratos de fidelidade e exigências operacionais rígidas estariam criando uma espécie de armadilha: o operador fica preso a metas, e o banco, à primeira inconsistência, trava tudo.

O custo fica com quem precisa rodar o sistema.

Segundo outro especialista do setor, os bancos não estão preocupados com a liquidez de mercado. "O setor de apostas é pequeno diante do lucro que eles têm operando os fluxos. Intermediar é mais lucrativo. E agora, com o discurso da legalidade na mão, os bancos avançam sobre tudo."

Febraban e ANJL: o tom da aliança

No dia 30 de abril, representantes da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) se reuniram com a Febraban, para reforçar o papel dos bancos no enfrentamento ao mercado ilegal de apostas e na construção de um ecossistema regulado.

Participaram do encontro Plínio Lemos Jorge (presidente da ANJL), Pietro Lorenzoni (diretor jurídico da ANJL) e Rubens Sardenberg (diretor da Febraban). A pauta foi clara: repressão aos sites ilegais e fortalecimento das casas licenciadas.

O problema é que, ao mesmo tempo em que os bancos prometem apoio ao mercado regulado, estão varrendo da mesa as intermediadoras que viabilizaram o funcionamento desse mercado nos últimos cinco anos.

A estratégia bancária: controle total

Com o aval institucional e o discurso de compliance, os bancos passaram a operar como protagonistas silenciosos. Estão dentro do sistema, com acesso a liquidez, dados e estrutura.

Não precisam mais das fintechs. E hoje, comem na fonte sem dividir o prato.

Ao oferecer contratos diretos, os bancos eliminam a camada intermediária. Com isso, concentram controle sobre o fluxo financeiro e deixam os operadores reféns de metas.

O discurso é bonito: estabilidade, segurança, prevenção à lavagem de dinheiro.

Mas na prática, o que se tem é um oligopólio se formando sob o pretexto da regularização.