Caixa aposta no setor de “bets”, mas entra em campo com vantagem

Presidente da Caixa diz que o banco quer romper com a imagem antiquada e aposta forte em tecnologia.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, afirmou que o banco quer deixar para trás a imagem de uma instituição antiga e desconectada da transformação digital. Para isso, está investindo pesado em tecnologia — com orçamento recorde e reforço no time de TI.

“Estamos na fase de chamamento de dois mil funcionários de TI, já devemos ter chamado em torno de 70% desse público, e isso tem ajudado muito nas nossas mudanças tecnológicas”, disse Vieira, em entrevista publicada nesta terça-feira (24) no jornal Valor Econômico.

O orçamento tecnológico da Caixa deve atingir R$ 9,5 bilhões em 2025. O foco agora, segundo Vieira no artigo da BnLData, é a construção de um super aplicativo que reúna todos os serviços da instituição — incluindo o Caixa Tem — com entrega prevista para 2026. A ideia é oferecer ao cliente uma experiência unificada, moderna e mais próxima das plataformas concorrentes.

“Vamos começar a buscar a construção [de um super app] nesse segundo semestre e espero lançar no ano que vem. Queremos ter uma entrada única [...] O grande ano de entregas em termos de tecnologia vai ser 2026.”

CaixaBet: aposta em estudo — mas em campo favorável

Vieira também confirmou que a Caixa pretende utilizar sua experiência no setor lotérico — são quase 60 anos de atuação — para ingressar no mercado de apostas esportivas, as chamadas “bets”. A estreia, porém, pode não acontecer mais em 2025.

“Estamos na fase ainda de NDA, estamos estudando essa questão da bet. [...] Ainda não sei se lançamos nossa bet este ano.”

A iniciativa chegou a ser planejada para o primeiro semestre, mas o aumento recente da alíquota sobre a GGR (gross gaming revenue), de 12% para 18%, somado à complexidade do mercado, levou a instituição a revisar seu cronograma. Mesmo assim, Vieira considera a tributação “razoável”.

“A tributação do banco é de 48%, e nas bets vai sair de 12% para 18% [...] A grande questão das bets é o ‘payout’, ou seja, quanto ela vai pagar de prêmio.”

Regulação ou curadoria? Quando o imposto vira instrumento de exclusão

As declarações de Vieira sobre a viabilidade da tributação ganham peso especial quando inseridas em um contexto mais amplo: o de uma regulamentação que parece moldada não para equilibrar o setor, mas para estreitá-lo. Com a nova alíquota de 18%, somada a encargos como PIS/Cofins, ISS e um possível Imposto Seletivo, a carga total pode ultrapassar 56% em algumas cidades.

Isso não é apenas uma pressão fiscal. É uma barreira de entrada. Como já alertamos no artigo "Terreno pronto para a CaixaBet?", o que se desenha no Brasil não é um monopólio formal, mas uma cartelização velada — onde sobrevivem apenas os grandes operadores internacionais ou, paradoxalmente, o próprio Estado.

A Caixa não precisa correr. Tem escala, canais próprios, isenção publicitária e integração com o sistema bancário. Em um ambiente que sufoca os médios e exclui os pequenos, basta esperar.

Se a regulação foi criada para organizar, o que se vê é um modelo que sel