Bets: a vilã escolhida por um governo populista que não consegue governar
Toda crise precisa de um vilão. No Brasil de 2025, o escolhido atende pelo nome de “bets” — o setor que, até ontem, era símbolo de inovação, geração de empregos e arrecadação. Agora, virou o inimigo oficial de um governo que precisa de alguém para culpar pela própria incapacidade de governar. Enquanto os bancos lucram com juros de 400% ao ano, o endividamento das famílias bate recorde histórico e a máquina pública consome mais do que entrega, o discurso oficial se volta contra as plataformas de apostas. É mais fácil vender moralismo tributário do que admitir falência fiscal. O governo tenta transformar a caça às bets em ato de responsabilidade, quando, na prática, é apenas mais uma jogada para comprar tempo político e tapar o buraco de um orçamento irrealista, que segundo economistas, pode colapsar já em 2027. O novo alvo do governo: a mordida invisível que já consome 35% do GGR Antes de falar em aumento, é preciso entender o ponto de partida. A narrativa oficial costuma repetir que o setor de apostas paga “apenas 12%” sobre a receita bruta. Mas quem já analisou a estrutura fiscal de uma operadora licenciada sabe que esse número é ilusório. Na prática, o percentual real não é 12% — é mais que o triplo. Como mostramos em nosso artigo "BiS Brasília expõe o “Bet do Leão”: quanto realmente se paga — o peso oculto dos impostos nas apostas online" o peso total de impostos e contribuições chega a cerca de 35% sobre o GGR (Gross Gaming Revenue), o valor que sobra entre o total apostado e o total pago em prêmios. Isso ocorre porque a alíquota de 12% incide apenas sobre uma das camadas da operação. Depois dela, vêm o PIS e a COFINS, a Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), o ISS municipal, além dos repasses obrigatórios a ministérios e fundos públicos, que incluem desde o esporte até o turismo. Somando tudo, o que sobra para a empresa — e, por extensão, para reinvestir em tecnologia, atendimento e marketing — mal cobre os cust