ABRAS lança campanha desonesta e irresponsável contra apostas online: a verdade que o vídeo não mostra

Enquanto bancos e varejo lucram com sorteios, a ABRAS pede mais imposto e até proibição das apostas.

Enquanto bancos vendem raspadinhas disfarçadas e o varejo promove sorteios próprios, a ABRAS pede mais imposto — e até a proibição — de um setor que já arrecadou R$ 2,3 bilhões em outorgas e paga até 38% em tributos.

A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) decidiu iniciar uma cruzada contra o setor de apostas online. Mas o que poderia ser um debate legítimo se transformou em um ataque recheado de distorções, dados fora de contexto e propostas perigosas.

Em vídeo institucional divulgado durante evento em Brasília, a ABRAS pede aumento da carga tributária, sugere a proibição das apostas online e apresenta números alarmistas sem base técnica clara. O conteúdo foi publicado originalmente pelo site BNLData, que classificou a peça como apelativa e criminosa.

A retórica da campanha é simples: responsabilizar o setor de apostas por uma suposta perda de R$ 103 bilhões no varejo — sem mostrar qualquer metodologia para essa cifra — e defender que as "bets" pagam “apenas” 12% de imposto. A realidade, no entanto, é outra.

As apostas online já pagam mais de 33% em impostos — e ainda arcam com outorgas milionárias, certificações e empregos

Ao contrário do que sugere a campanha da ABRAS, as plataformas legalizadas de apostas no Brasil já enfrentam uma das estruturas tributárias mais pesadas do setor digital. A carga fiscal das chamadas “bets” legalizadas inclui:

PIS/COFINS: 9,25% sobre a receita bruta;

ISS: de 2% a 5%, a depender do município.

Somando-se esses tributos federais e municipais, a carga efetiva pode chegar a 38% — quase o triplo do número distorcido divulgado pela ABRAS. E isso sem contar o valor de outorga: cada operadora paga R$ 30 milhões pela licença junto à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), valor que já gerou mais de R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos apenas em 2025.

Mas os custos para operar legalmente no Brasil vão além da tributação.

Todas as casas licenciadas estão sendo obrigadas a investir pesadamente na adequação às exigências técnicas e legais impostas pelo governo. Isso inclui:

Certificações internacionais de segurança e justiça, como GLI (Gaming Labs International);

Implementação de infraestrutura nacional de suporte ao consumidor, em português e com SLA compatível com as regras da SPA;

Ferramentas de controle de tempo, perdas, autoexclusão e jogo responsável, obrigatórias por lei;

Processos de auditoria, prevenção à lavagem de dinheiro (PLD/FT) e rastreabilidade dos dados dos jogadores.

E há um fator que segue convenientemente esquecido por campanhas como a da ABRAS: a geração de empregos. Com a regularização do setor, dezenas de empresas estão estabelecendo operações no Brasil, contratando diretamente profissionais de tecnologia, atendimento, marketing, compliance, jurídico e CRM. Estima-se que o ecossistema regulado das apostas online empregue hoje milhares de brasileiros, de forma direta ou indireta — especialmente em regiões co