60% dos apostadores do sudeste usam sites ilegais para apostar

60% do Sudeste aposta em sites ilegais. Perda fiscal de R$ 10,8 bi/ano revela falha na fiscalização.

Quando a regulamentação existe no papel, mas o mercado ignora na prática

Uma pesquisa inédita do Instituto Locomotiva acaba de revelar um dado que deveria envergonhar qualquer autoridade responsável pela fiscalização de apostas no Brasil: 60% dos apostadores do Sudeste — a região mais rica e desenvolvida do país — admitem usar plataformas ilegais para apostar.

Os números, divulgados pela BNL Data, fazem parte do estudo "Fora do Radar: Dimensionamento e impactos socioeconômicos do mercado ilegal de apostas no Brasil", realizado pela consultoria LCA com apoio do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). E eles revelam um fracasso monumental da estratégia de combate às plataformas clandestinas.

Se nem no Sudeste — região com maior nível educacional, renda e acesso à informação — conseguimos fazer apostadores distinguirem sites legais de ilegais, imagine o que acontece no resto do país.

O mapa da ilegalidade brasileira

O Sudeste, na verdade, não é nem a pior região em termos de uso de plataformas ilegais. A liderança vergonhosa fica com o Centro-Oeste, onde 71% dos apostadores usam sites sem licença. Na sequência: Norte (66%), Nordeste (61%) e Sudeste (60%). Apenas o Sul apresenta números "melhores", com 54%.

Traduzindo: em todas as regiões do Brasil, a maioria dos apostadores está operando fora do mercado regulamentado. Isso significa que a regulamentação, implementada em janeiro de 2025, falhou em seu objetivo principal: trazer a atividade para o ambiente legal.

Quando questionados sobre marcas específicas, o cenário fica ainda pior: 70% dos apostadores do Sudeste afirmaram ter apostado em pelo menos uma plataforma ilegal. É como se quase 3 em cada 4 pessoas estivessem comprando produtos sem nota fiscal, sabendo dos riscos.

O buraco bilionário nos cofres públicos

As consequências financeiras são devastadoras. O estudo da LCA estima que entre 41% e 51% do mercado brasileiro de apostas ainda opera fora da regulamentação. Isso significa que entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões deixaram de ser arrecadados em apenas três meses.

Projetando para um ano inteiro, a perda fiscal pode chegar a R$ 10,8 bilhões. Para dimensionar: esse valor seria suficiente para pagar o salário anual de 184 mil professores da educação básica ou construir 41 mil casas do programa "Minha Casa, Minha Vida".

Enquanto o governo debate aumentar impostos de 12% para 18% nas plataformas legais — sufocando quem opera corretamente —, bilhões escapam pelos dedos através de sites que não pagam um centavo em impostos.

Por que apostadores escolhem o mercado ilegal

A pesquisa do Instituto Locomotiva revela dados alarmantes sobre a dificuldade dos consumidores em identificar plataformas legais:

78% consideram difícil distinguir sites legais dos ilegais — isso em plena era digital, com informações disponíveis no site do Ministério da Fazenda.

72% afirmam que nem sempre conseguem verificar a regularidade das plataformas onde apostam.

46% dos entrevistados já deposita